Publicado por: jromarq | 10/06/2012

BMG-Fonte alimenta o cachoeiroduto

Portanto, quando os senhores integrantes da CPI do Cachoeira irão voltar seus honrados olhares para essa questão? Que outros indícios serão necessários para que o Sr. Annes Guimarães seja “respeitosamente” convidado a “explanar” sobre suas indubitáveis ligações com Demóstenes e Carlinhos Cachoeira? Ficam registradas, pois, minhas singelas interrogações e minha intensa expectativa por respostas

Luxemburgo (técnico) e Ronaldinho Gaúcho recebem salários milionários. O velho Luxa, no mínimo, R$ 500 mi por mês; Ronaldinho, quase R$ 800 mi (ou mais!). Como todos sabemos, esses dois profissionais do futebol são contratados do Atlético mineiro. Ora, estamos falando de um time que já esteve “à beira da falência”; em grande parte, como decorrência da desastrosa administração de Ricardo Annes Guimarães – cartola vitalício do Galo; uma figura com importância e prestígio de bastidores semelhantes aos de Mustafá Contursi no time do Parque Antártica paulistano. Annes Guimarães também é o todo poderoso chefão do grupo BMG que comanda, sob o ponto de vista econômico e financeiro, mais da metade do futebol no Brasil; o Sr. Guimarães é amigo pessoal e financiador das campanhas políticas do senador causídico Demóstenes Torres (DEM), o pivô do maior escândalo político de toda a história da República Federativa do Brasil (que, apenas para efeito de ilustração, um dia, o tucano J Serra chamou de Estados Unidos do Brasil) – Torres, aquele mesmo que está sob investigação da PF e na CPI do Cachoeira. Pois bem: Annes Guimarães, cartola atleticano, chefão do esquema BMG do futebol, amigo e financiador do Demóstenes (e por conseqüência, de um modo ou de outro, atrelado aos esquemas criminosos do Al Capone Brasileiro, conhecido no submundo como Carlinhos Cachoeira), de fato, é quem paga as elevadas cifras referentes aos salários de Ronaldinho e Luxemburgo. Não é preciso muito esforço de raciocínio lógico para inferir sobre a procedência dessa dinheirama toda: BMG, Annes, Cachoeira, Demóstenes, tucano-demonistas, mídia golpista (Globo, Veja, etc.) não são apenas inócuos signos vernaculares, sem nenhum significado relevante; antes e acima de tudo, são símbolos irrefutáveis a evidenciar o que existe de mais funesto, de mais putrefato nos sombrios escaninhos de nosso baixo clero político-empresarial. Não preciso de provas cabais para concluir que o Cachoeiroduto, alimentado pela poderosa BMG-Fonte, irriga com o dinheiro sujo proveniente do crime organizado o glorioso futebol tupiniquim. Em outras palavras, como se trata de capital oriundo de transações suspeitas, negociatas, falcatruas e corrupção, no final das contas (não tenho dúvidas quanto a isso), o dinheiro sai de nossos minguados bolsos: “Somos nós quem pagamos o pato e a conta do pato“. Portanto, quando os senhores integrantes da CPI do Cachoeira irão voltar seus honrados olhares para essa questão? Que outros indícios serão necessários para que o Sr. Annes Guimarães seja “respeitosamente” convidado a “explanar” sobre suas indubitáveis ligações com Demóstenes e Carlinhos Cachoeira? Ficam registradas, pois, minhas singelas interrogações e minha intensa expectativa por respostas.

A premissa é bastante simples: se é lícito, legal ou ético uma única empresa financiar quase metade do futebol brasileiro; se é normal, legítimo e de natureza ilibada o principal executivo dessa empresa manter relações estreitas com figuras nefandas de nosso passado político recente (figuras envolvidas em escândalos e falcatruas comprovados ou sob investigação), então, democraticamente, calar-me-ei. Embora inconformado, me submeterei aos ditames, muitas vezes inflexíveis, da lei.

Como todo brasileiro, alimento uma idiossincrática paixão: o futebol. Não tenho freqüentado estádios tanto quanto apreciaria. Contudo, sempre que possível, acomodo-me em meu sofá, ligo a televisão e, de súbito, me transformo em mais um dos quase 200 milhões de técnicos brasileiros, analisando táticas, estratégias e jogadas; criticando o desempenho de técnicos, jogadores e cartolas; execrando a conduta tendenciosa da crônica futebolística. Assim, dia de jogo é dia mágico, dia de cerveja gelada, de encontro com os amigos, de polêmicas e conversa-fiada nos bares e botequins, de esquecer os problemas no trabalho. Dia de jogo é para lavar a alma e extravasar as frustrações do implacável cotidiano.

Porém, nos últimos tempos, observando os uniformes das equipes, algo me chamou a atenção. Notei uma logomarca que, digamos, destacava-se entre as demais, surgia com maior freqüência, estampando a tela da televisão com os seus dizeres alaranjados: banco BMG. Fiquei, então, com a “pulga atrás da orelha”. Comecei a contar, e uma simples operação aritmética de soma arremeteu-me a uma intrigante constatação: quase metade do futebol brasileiro (ou mais!) encontra-se, hoje, sob o comando financeiro do banco BMG, presidido por Ricardo Annes Guimarães (ex-cartola do Atlético Mineiro). Uma coisa aprendi há tempos. Não existem acasos no futebol; em seus bastidores, nenhuma de suas raposas velhas costuma agir despretensiosamente, sem interesses ou razões escusos. Fui à luta, na busca de informações, na medida do possível, sólidas e confiáveis. O resultado foi absolutamente revoltante.

BMG, Annes e o mensalão

O banco BMG é, atualmente, o principal investidor do futebol brasileiro. Mas, afinal de contas, que organização é essa que, sorrateiramente (bem à moda mineira), foi assumindo o controle financeiro do futebol no Brasil ao fechar contratos milionários de patrocínio com inúmeros times numa única confederação de futebol? Por outro lado, é no mínimo inquietante constatar que a instituição financeira presidida pelo Sr. Ricardo Annes Guimarães esteve envolvida, nos últimos anos (pasmem!), com o escândalo do mensalão – o verdadeiro, de Daniel Dantas (banqueiro), Marcos Valério (publicitário), Eduardo Azeredo (ex-senador do PSDB), Arruda (ex-senador do PSDB) e todo o restante da corriola. O BMG e vários de seus executivos são citados em todas as instâncias das investigações de maneira bastante comprometedora. Vejam, logo abaixo, segmentos de tópicos do relatório final da CPI mista instaurada com o propósito de apurar as denúncias que alimentavam o escândalo na época:

Volume II

7 As Atividades de Marcos Valério – O Valerioduto

7.1 Introdução

7.2 Histórico

7.3 A Suposta Origem dos Recursos – Os “Empréstimos”

7.3.1 “Empréstimos” como Fonte e Intermediação do Valerioduto

7.3.1.1 Introdução

7.3.1.2 As Características dos “Empréstimos”

7.3.1.2.2 Empréstimos Tomados pelas Empresas do Sr. Marcos Valério

7.3.2.2 Repasses dos Recursos – Criação da Figura “Empréstimos”

7.3.3.1 Resultados da Fiscalização do BACEN nos Bancos Rural e BMG

7.3.3.1.1 Banco BMG

7.3.3.1.2 Banco Rural

7.3.4 Pretensão de Marcos Valério e dos Bancos BMG e Rural que Justificariam suas Participações no Valerioduto

7.3.4.1 Marcos Valério – Tráfico de Influência para Obtenção dos Empréstimos

7.3.4.1.1 Depoimentos do Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza (Anexo 6.9 – Empréstimos)

7.3.5 Conclusão

7.3.6 Benefício do Banco BMG

7.3.6.1 Créditos Consignados

7.3.6.2 Relatório de Auditoria do TCU

7.3.6.3 Depoimento do Presidente do BMG, Sr. Ricardo Annes Guimarães

7.3.6.4 Pareceres de Consultores do BMG para Avaliar a Transação com a CEF

7.3.6.5 Valora Participações

7.3.6.6 Conclusão BMG x CEF

7.3.6.8 Os Fatos

7.3.6.8.1 Dívida com Marcos Valério

7.3.6.8.2 Coteminas

7.3.6.8.4.1 Banco BMG

7.3.6.8.4.2 Banco Rural

7.3.6.8.5 Operações de Leasing de Equipamentos de Informática no Banco do Brasil

7.4.2.1.1 Grupo Opportunity

7.4.2.1.2 O Opportunity e o Esquema Marcos Valério

7.4.2.1.3 Daniel Dantas, Marcos Valério e Maurício Marinho

7.4.2.1.4 Telemig Celular e Amazônia Celular

7.4.2.1.5 Daniel Dantas, Marcos Valério e Brasil Telecom

7.4.2.1.6 Daniel Dantas, Maurício Marinho e Brasil Telecom

7.5.1.7 Conclusão

7.5.2 Modus Operandi

7.5.2.1 Marcos Valério como captador e operador do Valerioduto

7.5.2.2 Modelo Padrão de Operação

7.5.2.2.1 O Modelo Padrão do Valerioduto – Fase 1 (de Fevereiro a Maio de 2003) – Fontes: Banco BMG e Banco Rural

7.5.2.2.2 Fase dois do Valerioduto (Junho a Agosto de 2003) – Fontes: Banco Rural, Banco do Brasil e Brasil Telecom

7.5.2.2.3 Fase Três do Valerioduto (Setembro a Dezembro de 2003) – Fonte: Banco Rural

7.5.2.3 Segundo Modelo – Repasses a Partir de Intermediários 

Na política; gestões desastrosas;
parcerias desvantajosas

Além disso, constitui prática vezeira do BMG o financiamento de campanha política. Apenas para citar alguns casos, nas eleições de 2010, por exemplo, o governador eleito Beto Richa (PSDB-PR) obteve R$ 500 mil; Antonio Anastasia (PSDB), reeleito em MG, recebeu R$ 504 mil; Aécio Neves (PSDB-MG), levou R$ 400 mil e Demóstenes Torres (DEM-GO), embolsou R$ 130 mil.

Notamos, também, que as parcerias propostas pelo BMG para patrocinar times de nosso futebol extrapolam os limites, digamos, da “boa intenção” no incentivo ao esporte. Na verdade, trata-se de mais um mecanismo escuso de investimento, que tende a enfraquecer a gestão dos clubes envolvidos.  Em outras palavras, os jogadores deixam de pertencer aos times e passam a pertencer ao banco (como se fossem moeda de troca pelos empréstimos concedidos).

Em Minas Gerais, por exemplo, o BMG reina absoluto. Dos 12 times que disputam o campeonato estadual, seis ostentam a logomarca do banco. Além disso, o ex-presidente do Atlético Mineiro e presidente do banco, Ricardo Annes Guimarães, também patrocinou a Federação Mineira de Futebol. Clique aqui e conheça um pouco de como foi a desastrosa administração de Ricardo Annes à frente do Galo de Minas Gerais.

De acordo com a revista Placar, o grupo controla um fundo de investimento de jogadores chamado BR Soccer 1. Com ele, o BMG atua como “agente facilitador” entre os clubes na contratação de jogadores, além de negociar patrocínios com a compra de parte dos direitos federativos de alguns atletas. Concede, também, empréstimos financeiros supostamente empregados na quitação de salários atrasados. Em contrapartida, os clubes oferecem jogadores como moeda de troca. Vejam a extensa relação de times financiados pelo banco de Ricardo A Guimarães: São Paulo, Santos, Flamengo, Cruzeiro, Coritiba, Atlético MG, Botafogo, Vasco, Palmeiras, Atlético Goianiense, Santa Cruz, Sport, Bahia e Vitória. É bastante provável que essa lista incrível e suspeita continue, lamentavelmente, a se avolumar (se nenhuma providência for adotada) nos preocupantes anos vindouros.

É de interesse geral

A despeito de preferências por este ou aquele time de futebol, no meu entendimento, é imperativo refletir; é imprescindível investigar. A reflexão é um esforço que compete a todos, é uma tarefa de todos aqueles que alimentam o pensamento livre e crítico. Investigar, apurar os fatos, compete àqueles que detêm a prerrogativa legal para tanto. Particularmente posso garantir que permanecerei atento, pesquisando, colhendo informações. Ao mesmo tempo, ficarei na expectativa de que tudo o que foi aqui escrito chegue ao conhecimento de quem puder tomar providências efetivas. Todo o conteúdo desse artigo está fundamentado em fatos de conhecimento público. Nada foi acrescentado. A premissa é bastante simples: se é lícito, legal ou ético uma única empresa financiar quase metade do futebol brasileiro; se é normal, legítimo e de natureza ilibada o principal executivo dessa empresa manter relações estreitas com figuras nefandas de nosso passado político recente (figuras envolvidas em escândalos e falcatruas comprovados ou sob investigação), então, democraticamente, calar-me-ei. Embora inconformado, me submeterei aos ditames, muitas vezes inflexíveis, da lei. Porém, sempre atento, em constante exercício de reflexão. Em nome dessa paixão brasileira que é o futebol, com bastante otimismo, aguardarei repercussões positivas. Portanto, apenas não me resignarei ao descaso, ao silêncio.     

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